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Disrupção e Inovação Digital

André Echeverria

André Echeverria

Steering Committee -invited Member at 100 Open Startups 1 artigo

Compreender e reagir ao grande dinamismo do panorama competitivo global é um dos mais estimulantes desafios que enfrentamos hoje, que implica em importantes transformações na forma como vivemos, trabalhamos, fazemos negócios e nos relacionamos.

O impacto de tecnologias emergentes e disruptivas como inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT), big data, blockchain, impressão 3D e a biotecnologia são percebidos de forma crescente e em velocidade exponencial, e contribuem para a a diluição das fronteiras entre o universos físico, biológico e digital – como afirma o Dr Klaus Schwab, Presidente do Fórum Econômico Mundial, no livro A 4ª Revolução Industrial.

Impacto nos Negócios

A Transformação Digital das organizações e de seus processos de negócios tem um grande impacto na forma como estas são organizadas, lideradas e operadas. Estamos testemunhando mudanças profundas em todas os segmentos de mercado, marcadas pelo surgimento de novos modelos de negócios e pela disrupção da estrutura competitiva tradicional, sejam através de startups ou novos entrantes advindos de segmentos fora do radar competitivo.

Estes avanços convergem para uma economia baseada em dados, inteligência e automação e no desenvolvimento de plataformas digitais de negócios – com alto potencial de transformação da experiência de clientes e cidadãos.

Este progresso tecnológico global ocorre ao mesmo tempo em que o Brasil precisa ampliar urgentemente sua capacidade de agregação de valor de sua produção e na pauta de exportações do país, como por exemplo em serviços baseados em conhecimento, que geram divisas e empregos com alto grau de qualificação. No caso específico do setor de TI, o Brasil exporta pouco mais de 2% de sua receita total, uma participação relativa dez vezes menor que a da Argentina, mesmo estando entre os 8 maiores mercados globais.

Sociedade e Governo

 Nos aspectos sociais, uma profunda mudança de paradigma está em andamento na forma como nos informamos, nos engajamos e expressamos as nossas expectativas. Governos e instituições estão sendo reformados ou sofrendo grande pressão de evolução, assim como nas áreas de educação, saúde, segurança pública, mobilidade urbana e conservação do meio ambiente. Este processo de empoderamento permite que agrupamentos sociais organizados online exerçam influência de uma maneira muito mais efetiva que há alguns anos.

Como nas revoluções industriais anteriores, a regulamentação também desempenhará um papel decisivo na adaptação e difusão de novas tecnologias, com o desafio importante de se lidar com a alta velocidade das mudanças tecnológicas e suas implicações para a sociedade.

Exemplo muito recente deste esforço foi a sansão da novaLei Geral de Proteção de Dados brasileira, na esteira de mais de 70 países que já contavam com esse tipo de legislação, e muito importante para permitir que o Brasil se integre ao fluxo global de dados, importante insumo econômico do século 21.

“Tornar o governo mais dinâmico, mais próximo da população, e mais eficiente para resolver problemas e facilitar a vida do cidadão” – foi declarado na Estratégia Brasileira para a Transformação Digital, fruto de um grupo de trabalho interministerial. A digitalização dos serviços públicos e do governo como um todo é importante para aumentar o nível de eficiência da atividade governamental em termos de redução de custos, melhoria no atendimento, maior transparência e aumento do engajamento social do cidadão.

Em 2016, o Brasil ocupou apenas a 44o posição entre 193 países no Índice de Desenvolvimento de E-Gov (Governo Eletrônico) da ONU, mesmo o país tendo subido dezessete posições em relação a 2010, Segundo comparativointernacional, o custo do atendimento online pode chegar a apenas 2,73% do custo do atendimento presencial, o que pode vir a representar uma economia total de mais de R$ 6 bilhões ao ano para o orçamento do setor público brasileiro.

Futuro do Trabalho

A evolução tecnológica exponencial nos proporciona a capacidade de viver vidas mais longas, saudáveis e ativas. Já se estima que mais de um quarto das crianças nascidas hoje em economias avançadas devem viver para além de 100 anos.

No relatório O Futuro das Profissões, do Fórum Econômico Mundial, os entrevistados acreditam que a criatividade, a solução complexa de problemas, as habilidades socioemocionais e o entendimento sistêmico dos ambientes à nossa volta serão muito mais valorizadas por volta de 2022, quando comparadas às habilidades físicas ou de conhecimento técnico.

A análise indica que que o trabalho realizado por algoritmos crescerá dos 29% atuais para 42% no mesmo período, ultrapassando o volume do trabalho humano até 2025. Isso não significa, necessariamente, que enfrentamos um dilema homem versus máquina. Na grande maioria dos casos, veremos a extensão da capacidade e a produtividade do trabalho humano.

Apesar do relatório indicar um saldo positivo entre novos empregos criados versus aqueles eliminados pelo efeito da inovação tecnológica, recentemente pesquisadores da Oxford Martin School classificaram 702 profissões de acordo com a probabilidade de serem automatizadas. Esta pesquisa conclui que cerca de 47% do emprego total nos EUA deve ser automatizado em diferentes escalas, em um horizonte de até 15 anos, gerando significativas pressões econômicas e sociais. No Brasil isso representa quase 50 milhões de postos de trabalho impactados por este fenômeno.

Os líderes empresariais e gestores do governo brasileiros precisam preparar a força de trabalho e a própria sociedade para inserção na Economia Digital, através da modernização de nosso sistema educacional, melhor qualificação de nossos professores e a inclusão de disciplinas optativas no ensino médio como fundamentos de programação e ferramentas básicas de manipulação de dados. Este pleito foi incluído em manifesto coordenado pela Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Telecomunicações) em 2018 na reforma da BNCC – Base Nacional Comum Curricular.

Por sua vez, as organizações mais bem-sucedidas evoluirão de estruturas hierárquicas para modelos colaborativos e distribuídos articulados em rede, com o fluxo contínua de dados ao longo de toda a sua cadeia de valor. Estes e outros atributos são descritos por Salim Ismail da Singularity Universityem sua obra Organizações Exponenciais (ExO): aquelas capazes de crescer e geram valor em ritmo acelerado, com estruturas enxutas, ágeis e eficientes.

Disrupção x Ação

A evolução das expectativas de cidadãos, clientes e consumidores e a dinâmica competitiva impulsionada pelas tecnologias exponenciais têm reduzido os ciclos de vida de produtos e das próprias organizações, e aumentado a pressão sobre governos ao redor do mundo. Alguns chamam este fenômeno de darwinismo digital.

Para permanecer competitivo na economia digital, e manter o diálogo e a representatividade democráticos fluindo de forma adequada, tanto as empresas como os países devem explorar a fronteira da inovação e aumentar sua produtividade, grau de transparência e níveis de serviço oferecidos, o que significa que as estratégias que se concentrem unicamente na redução de custos serão cada vez menos efetivas.

Com o Brasil não será diferente: as vantagens brasileiras deverão ser aproveitadas para superar desafios e gargalos e avançar na digitalização da economia e do próprio. Embora o Brasil possua fortes e significativas vantagens competitivas em determinadas áreas, como o agronegócio, tecnologia aplicada ao sistema financeiro, diversidade cultural e uma economia de porte significativo e diversificada, sabemos que o país ainda tem enormes desafios a enfrentar, em áreas como: infraestrutura, níveis de investimento, serviços públicos (como educação, saúde e segurança) e a nossa competitividade de forma geral.

Atualmente o Brasil ocupa atualmente apenas a 80 posição do Índice GCI de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial (dentre 137 países e composto por 114 indicadores). Tal posição está bastante aquém das possibilidades do País, impactando o nível de atratividade do Brasil para novos investimentos e seu desenvolvimento.

Um contraponto positivo é a pesquisa da PwC Brasil, que indica que as empresas brasileiras planejam aumentar seu portfólio de produtos e serviços digitais em até oito vezes até 2020, apostando em ganhos de até 10% de sua receita através da otimização de eficiência, vendas adicionais e redução de seus custos.

Mas o que impede o avanço mais rápido, no Brasil, das iniciativas de Transformação Digital? Em pesquisa exclusiva apresentada em 2017, desenvolvida pela empresa de recrutamento FESAP junto a altos executivos do segmento de TIC (tecnologia e telecomunicações), pode-se identificar entre as principais barreiras indicadas.

  1. baixa predisposição a assumir riscos (inovação rápida, regulação, segurança de dados)
  2. pouca agilidade, empreendedorismo e mindsetdigital da organização
  3. concorrência por prioridades e orçamentos
  4. inflexibilidade da infraestrutura e sistemas de TI

É essencial que a concepção de uma Estratégia Digital seja o primeiro passo para a evolução da organização, analisando seu modelo de negócios e os cenários impactando seu setor de indústria, identificando assim quais oportunidades e riscos decorrentes da digitalização devem ser priorizados. E então desenvolver e recrutar talentos adequados, e ter a liderança comprometida a articular essa jornada, com os níveis adequados de Governança e Gestão de Riscos Corporativos.

A importância do Propósito

Vivemos um mundo do agora, do compartilhamento peer-to-peer e com expectativas crescentes. A inovação viabilizada por iniciativas de transformação digital permite maior eficiência e produtivade, que a maioria das pessoas quer. No entanto, elas também anseiam ser parte de algo maior e mais impactante às suas vidas e carreiras.

Este é particularmente o caso da chamada geração millenials, que muitas vezes sente que os empregos corporativos tradicionais restringem a utilização de sua capacidades plenas, e carecem de significado e propósito mais elevados e estimulantes. Esta geração está estabelecendo novas expectativas, tendências de consumo, engajamento e integração harmoniosa de trabalho e vida pessoal. Para o qual as organizações privadas e a administração pública têm que se preparar rapidamente.

A Brasscom também está sensível a este contexto e atua em 3 eixos: (1) Políticas Públicas, (2) Educação, Emprego e Cidadania e (3) Inovação. A associação visa protagonismo e geração de impacto concreto no Brasil nestas áreas de atuação e reúne mais de 65 empresas sifnificativas de TIC além de mais de 20 associados institucionais e de ensino e pesquisa, alinhadas em torno do propósito de trabalhar Por um Brasil Digital e Conectado.

 



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