Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC revela concentração histórica no Sudeste, valorização salarial e expansão de oportunidades em diferentes regiões do país
São Paulo, 06 de agosto de 2026 – A Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, lança o Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC, que apresenta um panorama da distribuição geográfica, da evolução salarial e das tendências do mercado de tecnologia da informação e comunicação no Brasil. O levantamento aponta que o país conta com aproximadamente 943 mil profissionais CLT que atuam em ocupações de TIC, evidenciando um setor em transformação, com expansão territorial, diversificação de áreas de atuação e crescente relevância estratégica para a economia nacional.
Embora o Sudeste siga como principal concentração do mercado, reunindo 62,5% dos empregos formais em TIC e as melhores remunerações médias, nos últimos dois anos observa-se um crescimento mais acelerado nos empregos de profissionais de TIC fora do eixo Sul-Sudeste. Entre 2023 e 2025, os empregos em TIC cresceram 5,4% no Norte, 3,8% no Nordeste e 3,2% no Centro-Oeste, superando o ritmo registrado no Sul, de 3,1%, e no Sudeste, de 2%. Os dados evidenciam a expansão territorial e a descentralização gradual do setor de tecnologia no país. Nesse contexto, outras regiões avançam na consolidação de ecossistemas próprios, impulsionados por universidades, parques tecnológicos e políticas públicas de incentivo à inovação.
“Esse movimento reflete a aceleração da transformação digital, que ampliou a demanda por profissionais de TIC, valorizou salários e favoreceu a interiorização das oportunidades. O resultado é um mercado mais dinâmico, resiliente e distribuído, ainda que persistam desigualdades regionais de infraestrutura e capital humano”, explica Roberta Piozzi, diretora de Parcerias e Projetos em Educação na Brasscom.
Panorama regional
No recorte por unidades da Federação, São Paulo lidera o ecossistema nacional de TIC, com 44,7% dos empregos do país e salário médio de R$ 7.321, cerca de 3,2 vezes a média nacional considerada pelo estudo. Além da capital e da região metropolitana, polos emergentes no interior indicam uma tendência de descentralização, favorecida por menores custos e incentivos locais.
Minas Gerais ocupa a segunda posição em número de empregos formais em TIC e apresenta salário médio de R$ 4.955, equivalente a 2,2 vezes a média nacional geral, com destaque para a região metropolitana de Belo Horizonte. O Rio de Janeiro, terceiro no ranking, se sobressai pela segunda maior média salarial do setor (R$ 6.153), impulsionada por demandas de áreas reguladas, como energia, petróleo e finanças, e por incentivos fiscais em zonas de inovação.
O Sul mantém ecossistema tecnológico consolidado, com a segunda maior concentração de empregos formais em TIC no país, 17,5%, e salário médio de R$ 4.972. O Nordeste desponta como polo emergente, com destaque para Recife, Salvador e Fortaleza, reunindo 89.643 vínculos formais e média salarial de R$ 3.950. O Centro-Oeste, na quarta posição com 62.782 empregos, apresenta média salarial de R$ 4.855, superior à do Nordeste e impulsionada pelo Distrito Federal, onde a média chega a R$ 6.622. A região concentra especializações ligadas a soluções para o agronegócio, bioeconomia e serviços digitais.
Já o Norte, com 36.079 ocupações formais e salário médio de R$ 2.715, enfrenta desafios estruturais, mas mantém relevância estratégica para o setor, com a Zona Franca de Manaus e parques tecnológicos em expansão.
Ranking Regional dos empregos CLT de TIC:
| Região | Total de empregos CLT | Participação (%) | Média salarial (TIC) |
| 1º Sudeste | 588.943 | 62,5% | R$ 6.802 |
| 2º Sul | 165.382 | 17,5% | R$ 4.972 |
| 3º Nordeste | 89.643 | 9,5% | R$ 3.950 |
| 4º Centro-Oeste | 62.782 | 6,7% | R$ 4.855 |
| 5º Norte | 36.079 | 3,8% | R$ 2.715 |
Top 6 Estados:
| 1º São Paulo (SP) | 420.996 | 44,7% | R$ 7.321 |
| 2º Minas Gerais (MG) | 83.854 | 8,9% | R$ 4.955 |
| 3º Rio de Janeiro (RJ) | 71.277 | 7,6% | R$ 6.153 |
| 4º Rio Grande do Sul (RS) | 59.461 | 6,3% | R$ 5.118 |
| 5º Santa Catarina (SC) | 54.311 | 5,8% | R$ 4.862 |
| 6º Paraná (PR) | 51.610 | 5,5% | R$ 4.929 |
Profissões & salários
O relatório aponta que a função de analista de desenvolvimento de sistemas se destaca como a mais valorizada do setor, liderando tanto em número de profissionais quanto em remuneração média entre as cinco principais ocupações de TIC analisadas. São 252.903 trabalhadores, com salário médio de R$ 8.337, refletindo a centralidade dessa área na digitalização de empresas e serviços. A função exige domínio técnico aprofundado, aliado à visão sistêmica, diante da adoção crescente de computação em nuvem e inteligência artificial.
Entre as ocupações com menor remuneração média, de técnico de apoio ao usuário, ou helpdesk, registra salário médio de R$ 2.334, mas apresentou o maior crescimento absoluto de empregos em 2025, com saldo de 7.089 novos postos. O avanço acompanha a digitalização de processos e a necessidade de suporte a ambientes tecnológicos cada vez mais distribuídos.
Já ocupações como programador de sistemas de informação, analista de suporte computacional e técnico eletrônico ocupam posições intermediárias e passam por transformações relacionadas à adoção de linguagens mais modernas, automação e metodologias ágeis.
A área de suporte de TI, segunda maior do setor, alcançou 252.808 empregos em 2025, com saldo acumulado de 61.112 vagas desde 2021. O salário médio cresceu 18,2% no período, chegando a R$ 3.041. Apesar de um ritmo mais moderado, a área segue estratégica na sustentação da infraestrutura tecnológica e pode demandar competências cada vez mais especializadas, como segurança cibernética e gestão de ambientes híbridos.
Ranking TOP 5 ocupações de TIC no Brasil:
| Posição | Ocupação | Total de Empregos CLT | Participação (%) | Média Salarial |
| 1º | Analista de desenvolvimento de sistemas | 252.903 | 26,8% | R$ 8.337 |
| 2º | Analista de suporte computacional | 114.663 | 12,2% | R$ 3.990 |
| 3º | Programador de sistemas de informação | 101.593 | 10,8% | R$ 5.496 |
| 4º | Técnico de apoio ao usuário de informática (HelpDesk) | 92.505 | 9,8% | R$ 2.334 |
| 5º | Técnico eletrônico | 58.494 | 6,2% | R$ 2.644 |
“Em conjunto, os dados do relatório reforçam que o mercado brasileiro de TIC segue ampliando sua capilaridade, diversificando áreas de atuação e valorizando as carreiras. A interiorização das oportunidades e a consolidação de novos polos apontam para um setor cada vez mais essencial para a competitividade e a inovação do país”, finaliza Roberta.
Sobre a metodologia
O Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC realiza uma análise estritamente ocupacional, focando exclusivamente nos empregos formais (CLT) em ocupações típicas de TIC, como analistas e desenvolvedores de sistemas, programadores, técnicos de redes, especialistas em infraestrutura de TI, cientistas de dados, entre outras ocupações detalhadas na metodologia do estudo. Essa abordagem difere da análise setorial do ecossistema de TIC, que considera a totalidade dos trabalhadores contratados por empresas do setor, abrangendo também áreas como vendas, logística, jurídico, administrativo e demais funções de apoio (mapeadas no Relatório Setorial da Brasscom, que registra cerca de 2,1 milhões de empregos totais). Confira o relatório na integra aqui.
Sobre a Brasscom
A Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, é uma associação representativa do setor em toda a sua pluralidade: com associados de vários portes, desde pequenas startups até grandes empresas do setor; com empresas nacionais e multinacionais, incluindo multinacionais brasileiras que se expandiram pelo mundo e multinacionais de outros países instaladas no Brasil. Essa pluralidade permite à Brasscom contribuir para o debate democrático com uma visão ampla e diversa sobre cada tema em questão.
Atualmente, a associação conta com mais de 100 empresas associadas, com diferentes modelos de negócios. Entre as várias responsabilidades da Brasscom, está a garantia de que informações essenciais sobre temas pertinentes à TIC, que contribuem para o desenvolvimento tecnológico econômico e social do Brasil, cheguem de maneira adequada e abrangente ao público.
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