Proposta une competitividade, inovação e compromisso ambiental para o futuro dos data centers.
São Paulo, novembro de 2025 — O Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (ReData) chega como um marco regulatório capaz de transformar a expansão da economia digital brasileira em um vetor decisivo da transição energética e da sustentabilidade. A proposta cria condições para que novos empreendimentos do setor adotem tecnologias avançadas de eficiência operacional e sejam alimentados por fontes renováveis, reduzindo impactos ambientais e fortalecendo a competitividade nacional.
Um estudo da Brasscom, com apoio da ABDC (Associação Brasileira de Data Centers) e revisão técnica da FADURPE (Fundação Apolônio Salles de Desenvolvimento Educacional), mostra que, em 2024, os data centers consumiram apenas 1,7% da energia elétrica no Brasil (11,3 TWh) e 0,003% da água, em 2022 — equivalente ao uso anual de 34,9 mil pessoas. Comparativamente, a indústria respondeu por 36% do consumo total de energia, a metalurgia por 9% e o uso residencial por 28%.
A projeção de crescimento da potência instalada, de 843 MW para 2.192 MW até 2029, ainda representará uma participação modesta: 3,6% da energia e 0,008% da água nacionais. Vale destacar que 80% dos data centers já operam em circuito fechado de refrigeração, com reaproveitamento contínuo da água e reposição mínima de apenas 10% ao ano.
O ReData estabelece padrões claros e exigentes para sustentabilidade, incluindo refrigeração de alta eficiência, automação inteligente e uso ampliado de fontes renováveis. Além de reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) e consumo de recursos naturais, o programa foi desenhado para estimular inovação e P&D, destinando parcela obrigatória dos investimentos em equipamentos a projetos voltados para energia limpa, gestão inteligente de recursos e tecnologias sustentáveis.
“O ReData permite que o Brasil avance na construção de uma infraestrutura digital moderna, limpa e alinhada aos compromissos ambientais. É um modelo de incentivo que gera eficiência, reduz custos operacionais e contribui para a redução de emissões de GEE”, afirma Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom.
Ao combinar incentivos fiscais com exigências sustentáveis, o ReData posiciona o Brasil como referência na integração entre infraestrutura digital, inovação e política ambiental. O regime poderá atrair investimentos relevantes, descentralizar a infraestrutura de dados e ampliar o uso de energias renováveis em um setor essencial para a economia digital.
O programa prevê mecanismos de responsabilidade: empresas que descumprirem as exigências terão os benefícios cancelados, deverão recolher tributos com multa e juros e ficarão impedidas de aderir novamente por dois anos.
“Estamos diante de uma política industrial moderna, que alia competitividade, inovação e compromisso ambiental. O Brasil tem a oportunidade de crescer digitalmente com baixa pegada ambiental, e o ReData é a ferramenta para isso”, conclui Affonso.
Sobre a Brasscom
A Brasscom, Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais, é uma associação representativa do setor em toda a sua pluralidade: com associados de vários portes, desde pequenas startups até grandes empresas do setor; com empresas nacionais e multinacionais, incluindo multinacionais brasileiras que se expandiram pelo mundo e multinacionais de outros países instaladas no Brasil. Essa pluralidade permite à Brasscom contribuir para o debate democrático com uma visão ampla e diversa sobre cada tema em questão.
Atualmente, a associação conta com mais de 90 empresas associadas, com diferentes modelos de negócios. Entre as várias responsabilidades da Brasscom, está a garantia de que informações essenciais sobre temas pertinentes à TIC, que contribuem para o desenvolvimento tecnológico econômico e social do Brasil, cheguem de maneira adequada e abrangente ao público.
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