TESTE2 Conexão de máquinas pode reinventar negócios - Brasscom



Por Ediane Tiago
A mobilidade está movimentando os negócios com a conexão de máquinas, eletrodomésticos, veículos, relógios ou qualquer dispositivo capaz de acessar uma rede sem fio para enviar e receber dados. A chamada internet das coisas (IoT) promete revolucionar a forma de integrar cadeias produtivas, proporcionar maior capacidade de gestão às empresas e governos, incentivar a inovação, ampliar a produtividade e gerar valor.
Na prática, permitirá o uso de informações captadas por equipamentos e sensores para melhorar processos, monitorar pessoas, e gerenciar serviços como os de iluminação. Também vai municiar sistemas de análises de negócios e inteligência de mercado com dados gerados em tempo real.
Segundo estimativas da fabricante de equipamentos Cisco, 50 bilhões de dispositivos – incluindo telefones – estarão conectados em 2020. Atualmente o número de “coisas” que se comunicam com as redes móveis supera os 10 bilhões. “As oportunidades econômicas são imensas. O Brasil tem a chance de se posicionar com um dos líderes no desenvolvimento de aplicativos e serviços”, acredita Mariana Oliveira, diretora-executiva da Brasscom – Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação.
De acordo com a Cisco, a internet das coisas pode gerar US$ 19 trilhões em receitas adicionais às empresas e aos governos em todo o mundo entre 2013 e 2022. No Brasil, se a tecnologia engrenar, os ganhos podem alcançar US$ 352 bilhões. “Para tirar o máximo proveito, será preciso investir em capacitação de mão de obra, educação e em infraestrutura de telecomunicações”, adianta Mariana.
A Accenture também estudou os impactos econômicos do uso, em escala industrial, da internet das coisas. “A conectividade total abre mercados, amplia o valor da produção e promove a geração de riquezas”, resume Armen Ovanessoff, líder do Accenture Institute for High Performance.
Pelas estimativas, a internet industrial das coisas (como a consultoria definiu) deve acrescentar, pelo menos, US$ 10,6 trilhões ao produto interno bruto (PIB) até 2030, em um grupo de 20 países analisados. Se a tecnologia obtiver maior atenção de empresas e dos governos, o potencial é atingir ganhos de US$ 14,2 trilhões na amostra. No Brasil, a Accenture calcula ganhos de US$ 40 bilhões no PIB no período com a adoção da internet industrial das coisas. O montante, segundo o estudo, está aquém do potencial do país. “Os projetos brasileiros são incipientes. A demora na absorção da tecnologia pode limitar o impacto econômico”, explica Ovanessoff.
Entre entraves para o país estão a baixa produtividade no setor industrial e no governo e a qualidade da educação, que pode atrasar a formação de mão de obra qualificada. Os empresários brasileiros, apesar de entenderem o potencial da internet industrial das coisas, ainda estão com dificuldades para incluir a tecnologia em suas estratégias de negócios. “O Brasil ainda não está conectado à cadeia global de valor. Pode mudar isso pela adoção de tecnologia e estímulo à inovação”, comenta o executivo.
Como exemplo, Ovanessoff cita ganhos de eficiência que podem ocorrer na integração de cadeias produtivas. Ao unir, por exemplo, informações geradas por sensores nas lavouras a máquinas agrícolas e à linha de produção da indústria de alimentos, é possível eliminar gargalos, custos e desperdícios. “A competitividade virá com a melhor gestão de matérias-primas e processos, agregando valor aos produtos.” Na gestão pública, os ganhos são refletidos no controle de tráfego, iluminação, segurança pública e programas de saúde.
Segundo Ovanessoff, a internet industrial das coisas traz uma nova fronteira econômica, que permitirá a criação de produtos, processos e serviços. “O Brasil tem chance de se destacar em um novo e incrível mercado. Pode criar e liderar uma indústria.”
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Valor Econômico