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Stefanini: ‘Terceirização traz investimento e crescimento’

A Stefanini é uma empresa brasileira de tecnologia da informação que atua em 39 países. No Brasil, emprega 12 mil funcionários.

O inova.jor conversou com Marco Stefanini, presidente global e fundador do grupo que leva seu nome, sobre a projeto de lei de terceirização aprovado ontem (22/3) pela Câmara.

O que o senhor achou da aprovação do projeto?
É muito positiva a aprovação para mim. Ela faz parte de uma agenda muito positiva de reformas que trarão o Brasil para um patamar melhor de investimento e, consequentemente, de crescimento.
É mais um ponto de uma agenda corajosa que o governo está implementando.
É uma lei que ficou muitos anos parada. Uma lei simples, superobjetiva e que trará sem dúvida – no conjunto total, não é somente ela – uma perspectiva positiva para o Brasil ao longo do tempo.

O que muda para a Stefanini com a aprovação?
Até por força de um histórico, somos hoje 100% CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). E vamos continuar. Não vai mudar nada.
Essa lei não pretende regulamentar a relação da empresa prestadora de serviço com seu funcionário. Para essa regulamentação, existe a CLT.
O que ela regulamenta é a relação da Stefanini, e de qualquer empresa prestadora de serviço, com seu cliente.
A oposição acaba criando uma crítica habilidosa para confundir.
A lei regulamenta a relação do prestador de serviço com seu cliente. Ao fazer isso, tira incerteza jurídica. Menos incerteza jurídica é sinônimo de mais investimento e mais crescimento.
Quando a lei desburocratiza e tira algumas amarras das empresas, dá segurança jurídica e, automaticamente, deixa a economia fluir.

Que tipo de cliente o senhor consegue atender com segurança jurídica que antes não conseguia?
Na prática, o conceito de terceirização é global. É intenso em qualquer lugar do mundo. No Brasil também.
A relação fica mais organizada, mais consolidada, com a possibilidade de se especializar ainda mais. A lei é muito clara: é terceirização de serviços especializados.
Acho que é um ganho para o País.

O que o senhor acha do argumento de que o Brasil vai virar um país de pessoas jurídicas?
Por isso que eu falo é que uma crítica infundada. Quem regulamenta a minha relação com meus funcionários é a CLT, não é o contrato de terceirização.
O contrato de terceirização regulamenta minha relação com o cliente.
O que ele muda? O call center trabalha para banco e daí o funcionário do call center, que é CLT, vai lá e fala que é bancário.
Ele não é funcionário do banco. É funcionário de uma empresa de call center. Está fisicamente em outro lugar. A regra de subordinação é com a empresa de call center. O local de trabalho, as ordens, tudo isso.
Então por que ele vai falar que é bancário? Por causa dessa confusão. A lei termina essa confusão.
Agora o call center vai continuar contratando as pessoas como CLT. Eles criam essa confusão para defender sua posição.
É um conceito mundial a terceirização. Não é o Brasil que inventou. Aliás, o Brasil é bem mais atrasado por causa dessa confusão entre atividade fim e atividade meio.
Hoje é muito difícil de saber o que é atividade fim e atividade meio numa empresa.

Como o senhor vê a crítica de que o aumento da terceirização vai achatar salários, porque existe um intermediário que ganha dinheiro?
De novo, é uma desculpa muito restrita, muito sem visão, esse tipo de comentário. É exatamente o contrário.
De novo, a lei fala em terceirização especializada. O negócio de uma indústria é manufatura. O negócio do varejo é vender e comprar. Quem conhece de tecnologia somos nós.
Então, são criados níveis de especialização na mão de obra. Claramente, qual é o nível de carreira que essas empresas podem oferecer, ao contrário de nós, em que o core é tecnologia.
São comentários que procuram distorcer a realidade. É igual à reforma da previdência. As pessoas acabam manipulando um pouco as informações para defender o ponto de vista delas, que nem sempre é o correto.

A lei também permitiu aumentar o prazo de contratação do funcionário temporário. Qual é a sua opinião sobre isso?
Para nós, isso muda muito pouco. É uma regra que existe em todo lugar do mundo. Eu tenho vários países em que a gente pode contratar temporário dois anos.
Sabe quanto é no Peru? Cinco anos. Antes de virar funcionário. E a gente paga os direitos dele do mesmo jeito.
Esse aspecto é menor.

Como o senhor compara as regras de terceirização aprovadas ontem com a de outros países em que a Stefanini atua?
Nenhum país do mundo tem esse conceito de atividade fim e atividade meio. Somos sempre diferentes para pior. E não são só nos Estados Unidos, mas na Europa, que tem estado de bem estar social.
É uma distorção que está sendo corrigida.

Stefanini afirma que outros países não fazem diferença entre atividade meio e
atividade fim na terceirização / Renato Cruz/inova.jor

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